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beleza beleza beleza

o lamento da feia ao chegar na festa

- por que é que eu não vim
de saia branca
blusa azul
e meia-calça preta?


[hum brinquedo bobo para/com Mariano Marovatto
ilustra do kioskerman]

3 perguntas 1 proposta

e se, antes de mandar

- o livro pro prelo

- a música pra rádio

- o voto pra urna

- o filho pra guerra

- o outro à merda

- ...

a gente se fizer sempre essas 3 breves perguntas:

1. acredito no que digo?

2. sinto ser importante dizê-lo?

3. é o melhor que posso fazer?

e aí, quem topa?

essa do Liniers também é uma boa

Esfinge


a boca diz
o que se quer
os olhos
o que não se quer
dizer

o nariz
- impassível -
é no rosto
a mais fiel expressão
do ser

aqui e agora

"O homem está se acostumando a aceitar passivamente uma constante invasão sensorial. E essa atitude passiva acaba sendo uma servidão mental, uma verdadeira escravidão.
Mas há um jeito de contribuir para a proteção da humanidade, e é não se conformar. Não assistir com indiferença ao desaparecimento da infinita riqueza que forma o universo que nos rodeia, com suas cores, sons e perfumes. (...)

Não há outro modo de atingir a eternidade a não ser aprofundando-se no instante, nem outra forma de chegar à universalidade que não através da própria circunstância: o aqui e agora. Mas como? Revalorizando o pequeno lugar e o breve tempo em que vivemos, (...) que estão sagradamente impregnados da humanidade das pessoas que neles vivem. (...)


Porque o homem faz com os objetos o mesmo que a alma realiza com o corpo, impregnando-o de seus desejos e sentimentos (...)

Se nos tornarmos incapazes de criar um clima de beleza no pequeno mundo ao nosso redor e só atentarmos às razões do trabalho, muitas vezes desumanizado e competitivo, como poderemos resistir?

A presença do homem se manifesta numa mesa arrumada, numa pilha de discos, num livro, num brinquedo. O contato com qualquer obra humana evoca em nós a vida do outro, deixa rastros que nos inclinam a reconhecê-lo e a encontrá-lo. Vivendo como autômatos, seremos cegos aos rastros que os homens vão deixando, como as pedrinhas que João e Maria jogavam no caminho na esperança de serem encontrados."

[trechos de "A Resistência", de Ernesto Sábato. ilustra de Liniers.]

pular corda é isso aí

pular corda é isso aí - uma fábula capitalista

OU

de como ELES estão sempre tentando nos dizer o que fazer
(ou o que pensar)


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CENA 1:


algum dia da semana passada ou retrasada. está passando na sessão da tarde global um filme tipo "teen Disney" (pode ser até que fosse mesmo do estúdio do famigerado ratinho reacionário de voz aguda), na linha do (também famigerado) "high school musical".

os personagens são jovens negros e estilosos, que vivem num bairro pobre e feliz como (só) há nas metrópoles norte-americanas.

o personagem principal - há que haver um starring role - é um promissor aspirante a boxeador. ele usa cabelo black power e é suuuper legal.

ele tem um rolo muito inocente (no nicho "high school musical" não pode aparecer nem beijinho na boca; mas nos clipes das atrizes-cantoras do elenco rola aquela mesma baixaria esquema britney de sempre) com uma menina que integra um grupo de... puladoras de corda artística.

[alguém já tinha ouvido falar nisso? pois é: mas vamos ouvir falar MUITO nos próximos meses. sobretudo quem tem filhos. mas logo chegamos a esse ponto.]

as meninas estão prestes a participar de uma competição de pular-corda-artísitca-em-grupos (claro, nos EUA tudo tem sua competição, com eliminatórias regionais levando à final nacional, cobertura televisiva, etc., etc.). só que uma das integrantes do grupo - coincidentemente a pior, mais chata e mais feia - larga a trupe e deixa as (ex-)amigas na mão.

aí vocês já viram: depois de profundos dilemas - "pular corda não é coisa de homem", "meu pai sempre sonhou que eu lutasse boxe", etc. - o nosso herói (claro que é um herói) boxeador supera traumas e preconceitos, entra como quarto elemento na equipe de pular corda (sic) das meninas - que então vence a disputa regional, a estadual, a nacional, etc.

[o que tem isso? calma, bravo leitor! passemos à...]

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CENA 2:


anteontem. está passando "malhação". na aula de educação física, todos aguardam a professora, invulgarmente atrasada.

eis que chega afinal a mestra, acompanhada... de um grupo de jovens negros, estilosos e felizes.

"hoje", anuncia a professora, "vamos fazer uma coisa diferente: pular corda!"

"pular corda?!", espantam-se os alunos (como só o elenco de malhação é capaz.)

"siiim", responde a professora, enfática. "e essa galera aqui é um grupo de puladores de corda profissional. eles vão mostrar pra gente como pular corda é super cool e o melhor exercício do mundo para o corpo, a mente, a alma e mais."

segue-se um animado clipe com o elenco de malhação e os alegres saltadores afrodescententes se divertindo e exercitando como nunca e executando manobras radicais com essa incrível, revolucionária invenção: a corda de pular.

[qual a real relação entre as duas cenas? para descobrir, basta lermos a parte final, a...]

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CENA 3:


anteontem. intervalo de "malhação". passa um anúncio da infame água negra do capitalismo - popularmente conhecida como coca, coke, zero-cola, e afins.

o anúncio é um clipe com jovens estilosos e felizes, que executam manobras radicais ao som de uma música animada, enquanto vai sendo passado o seguinte recado: "você tem que entrar nessa! não fique de fora! troque já duzentas tampinhas e mais 40 reais pela exclusivaaa... corda de pular da coca-cola!!"

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EPÍLOGO


pooois é, caros amigos.

lembram dos iô-iôs vermelho-e-brancos? das mini-garrafinhas?

mas sobretudo dos iô-iôs. porque lembro bem de um show de jogadores-de-iô-iô-artístico-profissional-competitivo, numa das ondas dessa promoção (promoção, no sentido de "promover", bem entendido.)

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AMORAL (SIC)DA HISTÓRIA


nada é por acaso no universo do capitalismo.

...é por isso que eu digo: set default as no.

na dúvida, recuse.

ou logo vai estar pulando por aí. (papais, preparem os bolsos, tsc...)

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e antes que esse texto escrito com sono e descuido fique mais jabor que já está (!), peço ajuda ao Quino (gênio! criador da Mafalda, mas que tem outros milhares de cartuns menos conhecidos, como o exemplar abaixo) e ao über-nerd que faz os quadrinhos xkcd (danke, Graziela! :) .

beijos paratodos!

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"compre já o seu"


"ouvi falar que tal coisa é boa"