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a arqueologia é tão possível quanto a tradução

para/com Daniella Rabello

cachorro é dog
mas dog
não é cachorro não

pedra lascada era martelo
mas martelo não é mais aquele

late, morde
bate, mata

(não se faz mais
como antigamente)

ilustra: cidade subterrânea de Derinkuyu

"vocês não estão entendendo NADA!"

[imprensa] ruído
sem o qual nada é ouvido
com o qual tudo é mal
-entendido

http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,caetano-veloso-comenta-fim-de-trilogia,967380,0.htm

(o repórter chega com uma tese na cabeça: "caetano se distanciou das canções". a cada resposta, caetano mostra que não, que faz o mesmo de sempre, que foi a canção quem mudou, o tempo que passou, que a canção não está no violão, que não, que não. super calmo e claro. o repórter: a canção, a canção, a ana de holanda, o mensalão. haja. vale pelas respostas serenas e sumarentas do caetano. super claro e calmo. boas pra quem quer ouvir. depois vai o mesmo repórter e lança a matéria tirada da entrevista. o título? " 'Abraçaço' fecha a fase que distanciou Caetano Veloso das canções" (!) . perguntou e não ouviu nenhuma resposta. não é só a bossa nova que é foda.)

música arte primeira

música é dança sem corpo; é dança em essência - não uma, mas todas as danças em potência.

música é pintura com paleta de som e tempo; tem tantas cores quantos forem os nomes - e mais.

música é escultura que quando o criador diz - parla! ela fala mesmo.

música é teatro sem o peso do cavalo.

música é poesia com a parte de dentro por fora.


[mais música sólida em diahum.com]

3 perguntas 1 proposta

e se, antes de mandar

- o livro pro prelo

- a música pra rádio

- o voto pra urna

- o filho pra guerra

- o outro à merda

- ...

a gente se fizer sempre essas 3 breves perguntas:

1. acredito no que digo?

2. sinto ser importante dizê-lo?

3. é o melhor que posso fazer?

e aí, quem topa?

essa do Liniers também é uma boa

pobre cabeça-de-bagre


pobre cabeça-de-bagre
(crítica de arte x crônica esportiva)

lendo a página de esportes é que se percebe como nós arrrtistas somos sensíveis à crítica: tudo bem que os críticos literários, musicais e afins irritam pela leviandade e despreparo com que tratam nossas obras feitas com tanto cuidado e esforço; mas já viram como os cronistas esportivos se referem aos jogadores de futebol? "é um cabeça-de-bagre", "já devia ter se aposentado", "não serve nem pra terceira divisão", e daí pra baixo.

e não precisa nem recorrer ao tio Marx pra perceber de onde vem essa diferença de tratamento... os cronistas (ainda) seguem a premissa de que jogador de futebol não é nem mesmo gente - gente dessas que lêem jornal -, muito menos um profissional a ser respeitado.

bando de cabeças-de-bagre! que Tostão tenha piedade de vossas almas.

pronto quando está pronto nunca está pronto

meu camarada paulista Rodolpho Xto (ilustrador, produtor da anárquica Pipa Musical e irmão da querida parceira Juliana Bertolini) postou o desenho abaixo em seu facebook, com a seguinte legenda: "Preguiça master de terminar isso..."


o que fez com que a cantora - e também ilustradora - Laura W. (por sua vez irmã, veja só, de outra amiga arr-tista, a cantora e mestra de yoga Helena Rosenthal) logo comentasse: "não termina. tá bom assim."

---

tudo isso me fez matutar - sobre a obra de arte, o começo e o fim, essas coisinhas - e lembrei de um causo que vivi há muitos anos:

uma vez vi um cara pintando um quadro 'ao vivo', numa galeria aqui no Rio. era totalmente abstrato. daí o cara ia lá, super pollock, fumando um cigarro e tacando tinta sobre tinta sobre tinta sobre a tela, que estava no chão.

uma hora eu olhei e pensei 'nossa, tá pronto!' - só que o cara continuou a tacar tinta. e eu pensando: 'não, não! pare, o que você está fazendo?!' mas era tarde: o quadro de que eu gostei não existi(ri)a mais.

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noto agora que, curiosamente, Juliana e Helena - as supracitadas irmãs dos irmãos em questão - filmaram comigo uma videocanção que versa sobre o que acontece com o feito depois que o fazedor morre. ou sobre o que fica do fazedor no feito.

gente é um troço que nunca está pronto.

a sacolinha mágica

"a música é um receptáculo de capacidade ilimitada e infinito poder de transporte; quando a gente faz ela já vem recheada, mas a partir daí - se tudo der certo - só faz armazenar mais e mais.

e pode presentificar o que nela investimos infinitas vezes, no instante em que quisermos."*



...resumindo: a música é a sacolinha mágica do gato félix. é o chapéu do presto. a cartola do coelho. a mais poderosa bag of holding. o fusca do palhaço. a sopa do neném. a bolsa da mamãe.

a música é o porta-vidas inesgotável. com ela você pode revisitar momentos, memórias e sensações onde e quando quiser. e o que é melhor: é muito fácil de transportar! =]

*[Dimitri BR, em comentário a texto de Ricardo Domeneck sobre "mercado negro", relido hoje após ser twittado pela Letícia Féres - que por sua vez o descobriu na nova seção do diahum, diahum @, destinada a linkar de volta todos os sites/blogues que republicaram as videocanções.]

aqui e agora

"O homem está se acostumando a aceitar passivamente uma constante invasão sensorial. E essa atitude passiva acaba sendo uma servidão mental, uma verdadeira escravidão.
Mas há um jeito de contribuir para a proteção da humanidade, e é não se conformar. Não assistir com indiferença ao desaparecimento da infinita riqueza que forma o universo que nos rodeia, com suas cores, sons e perfumes. (...)

Não há outro modo de atingir a eternidade a não ser aprofundando-se no instante, nem outra forma de chegar à universalidade que não através da própria circunstância: o aqui e agora. Mas como? Revalorizando o pequeno lugar e o breve tempo em que vivemos, (...) que estão sagradamente impregnados da humanidade das pessoas que neles vivem. (...)


Porque o homem faz com os objetos o mesmo que a alma realiza com o corpo, impregnando-o de seus desejos e sentimentos (...)

Se nos tornarmos incapazes de criar um clima de beleza no pequeno mundo ao nosso redor e só atentarmos às razões do trabalho, muitas vezes desumanizado e competitivo, como poderemos resistir?

A presença do homem se manifesta numa mesa arrumada, numa pilha de discos, num livro, num brinquedo. O contato com qualquer obra humana evoca em nós a vida do outro, deixa rastros que nos inclinam a reconhecê-lo e a encontrá-lo. Vivendo como autômatos, seremos cegos aos rastros que os homens vão deixando, como as pedrinhas que João e Maria jogavam no caminho na esperança de serem encontrados."

[trechos de "A Resistência", de Ernesto Sábato. ilustra de Liniers.]

a posteridade é para os mortos

"O que chamam de homem superior é um homem que se enganou. Para admirá-lo, é preciso vê-lo - e para ser visto, é preciso que se mostre. E ele me mostra que a tola mania de seu nome o possui. Assim, todo grande homem está manchado por um erro. Todo espírito que todos consideram poderoso começa com a falta que o torna conhecido. Em troca das gorjetas do público, ele doa o tempo necessário para tornar-se perceptível, a energia dissipada em transmitir-se e em preparar a satisfação alheia."

[Paul Valéry - Monsieur Teste]


[ilustra: royal art lodge]

caro Dr. J.

carta ao caro Dr. J. (sinceramente, Mr. H.)

I

se eu não for
eu mesmo
é o mesmo que eu
ter morrido

se o que me salva
me anula
então não é a mim que salva

não sou eu
é o eu-
comprimido

que no instante em que surge
eu sumo
meu sumo se esvai
e eu morro

se me salvaria antes
um segundo
num segundo eu tomo
e me toma

e já não sou eu quem fala
é o outro
eu que não sou
eu mudo

eu que não falo
não sinto
eu que não existo
socorro

se o que me salva
me mata
não é a mim que salva

é de mim
o mundo

II

somos dois
no mesmo corpo

para mim não há cura
para ele não há mal

separa-nos o instante, o gesto
para ele, começo
para mim, final

para ele, vida
para mim, fatal

não podemos existir
um sem o outro
não podemos existir
um com o outro

somos dois dividindo
o mesmo corpo
um quase vivo
um meio morto

quem vive, vive
a carregar consigo
o peso morto
do próprio corpo

a sombra pesada
de (não) ser
o outro

a parte e o todo

"(...)não faz parte de um todo aquilo cuja existência ou inexistência não implica em alteração desse todo."

[livremente adaptado da Poética de Aristóteles, apud Massaud Moisés]

ser mulher

Bianca gostaria de beijar Theo, mas crê que Theo a acha feia e desinteressante.

[Theo gostaria muito de beijar Bianca.]

Bianca crê que Theo - como "todos os outros" - acha que Amanda sim é que é bonita e atraente.

[Amanda e Bianca são gêmeas univitelinas.]
A / % / E / G#
A / % / B / G#
minha mãe não pariu nenhum punk
no entanto
aqui estou eu

enquanto corríamos como idiotas em círculos

a frase-título do post foi dita agora por um sujeito num filme de ficção científica que está passando na tv (que está ali meio que falando sozinha enquanto eu trabalho aqui no pc).

as demais que compõem este post, não.

menina, não mendiga uma coisa dessas!
[sugestão de slogan para http://fazendoamendiga.blogspot.com/ . recomendo.]

inspiração não é mágica: inspiração é o transbordar do pensamento.
[é sim.]

não pare pra pensar. pense sem parar.
[refrão de música punk paulista composta na adolescência.]

Everything should be as simple as possible, but no simpler.
[essa é do Albert Einstein, o maior frasista vivo em atividade. talvez barrado (sic) pelo Romário.]

consultei os outros jogadores e todos me apoiaram. também, quem não apoiasse, eu barrava!
[Romário, técnico do Vasco por um dia.]

dos oito gols que Romário fez até agora, sete foram de dentro da área. sendo dois de bola parada.
[locutor da sportv redefine o pênalti.]

na medida dos padrões do ocidente, talvez eu seja uma das pessoas mais livres do mundo.
[jorge mautner, uma cara legal.]

como é um por todos e todos por um, dedico com imenso abraço este livro ao trêsaum, e muito feliz por ter participado do vosso disco! (seguido de desenhos de semifusas e uma clave de sol bem gorda)
[jorge mautner, um cara muito legal.]

...e por hoje é só, p-p-pessoal!
[gaguinho.]


post-filosofia de botequim



ponto hum

sim! estou de volta ao humdeabril

aliás, o hum deste abril já passou, então conte-se a minha idade com um ano a mais - e quem não aproveitou a desculpa pra gente se falar, pode vir, ainda está em tempo!...

aos que o fizeram, !muchas gracias! queridos. voltem sempre : ]

---

assim como nunca pretendi escrever aqui diariamente, nunca quis deixar o hum tanto tempo sem novidade.

já cogitei muitas pautas desde o último post, umas 4 ou 5 que eu não podia ter deixado de escrever.

e agora que de fato volto, vou transcrever (nome bonito e antiquado para ctrl+c - ctrl+v) um texto meu - na verdade um comentário que postei ontem numa discussão da comunidade literária 'Espancadores de Teclados'.

obs.1: a comunidade fica no orkut, e sobre orkut falaremos depois

obs.2: a discussão era sobre a dificuldade em se iniciar um texto. em princípio se referia a textos literários, mas de fato abrangia qualquer texto minimamente elaborado.

um cara de nome Emílio - não O Emílio - citou a seguinte consideração do Kafka:

"no primeiro momento, o começo de todo conto é ridículo. parece impossível que esse novo corpo, inutilmente sensível, como que mutilado e sem forma, possa manter-se vivo."

feitas as o-b-esses, vamos ao texto:

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começar e começar [4/27/2004 6:44 PM]

o ponto é que começar a escrever não é começar a história.

mesmo quem não é monomaníaco como o Fábio - e eu - já costuma ter alguma idéia em mente quando mete o dedo no teclado.

só que o texto final mesmo vai se moldando no percurso, ou seja: quanto mais do texto você já escreveu, mais você tem uma referência para o que ainda falta redigir.

eu acho que era a isso que o Kafka se referia: como saber se aquele início, que é uma parte tão estruturalmente importante de um todo, estará de acordo com esse todo, se o resto ainda não existe concretamente?

comigo o que costuma acontecer é o seguinte: tenho uma idéia supimpa :] , penso nela por um tempão (que pode ser dias ou meses ou mais), daí eu sento pra escrever um começo e acho ele fantástico; continuo e, quando termino, invariavelmente acho o tal início muito aquém do resto do texto! ou inadequado, ou hesitante, enfim.

e daí o negócio é re-começar, reescrever o início - agora que já conheço o 'corpo mutilado' ao qual ele pertencia.

por isso não vejo muito problema em começar: escrever é um ato cíclico.

o duro de escrever algo muito grande é manter o todo em mente, enquanto dá atenção a uma pequena parte.

---

bem, esse era o texto. ah, e o Fábio citado é, obviamente, outro escritor participante da discussão.

com relação a 'enxergar o todo enquanto constrói a parte' eu sinto que omiti dos demais espancadores de teclados alguns fatos importantes para entender como eu lido com isso:

acontece que eu pretendia ser escritor (quando criança mesmo), depois dramaturgo, em seguida ator, cantor, e finalmente, compositor - não descartando a análise musical e cultural como atividade paralela e complementar.

e acontece que, acompanhando esse percurso - ou mesmo motivando-o - estiveram sempre as minhas experimentações com os diferentes tipos de texto.

foi assim que passei de escrever crônicas cotidianas, a histórias ficcionais relativamente longas, e então peças de teatro e roteiros, passando depois para os contos e a poesia, para desembocar - um tanto mais fortuitamente do que o percurso pode dar a entender - na atividade que desenvolvo há mais tempo, e na qual obtive maiores técnica e fluência:

compor canções.

que relação tem isso com a questão de ver o todo e a parte simultaneamente?

é simples. reparem bem:

eu comecei com crônicas - algo cuja matéria é o cotidiano extremamente palpável, um gênero onde você pode conhecer a história até mesmo sensorialmente, pode tê-la vivenciado, muitas vezes - e assim é fácil conhecer seu início, miolo e fim, bem como seu tom geral;

daí eu pulei para grandes invenções em prosa, resultado evidente da minha avidez como leitor de ficção, e da minha imaginação infantil hiperativa. mas não é só difícil ver um romance inteiro de uma só vez; é difícil escrever mesmo aquele monte de páginas, difícil pelo lado prático. e assim esse período durou pouco, e resultou em muitos começos e poucos textos completos - a não ser os

textos teatrais e roteiros - no teatro e demais artes de encenação, o que é palpável não é necessariamente o antes, a origem do texto, mas o resultado físico deste, que é a encenação. desse modo, você tem como referência constante ao escrever o ato em que vão-se converter aquelas palavras. e com um norte tão concreto quanto este - pessoas vivas corporificando o seu discurso - fica mais difícil perder o pé.

mas para isso é preciso haver uma intenção e uma viabilidade mínimas de se encenar/filmar aquilo, para que o efeito presentificador da encenação se traduza em referência para o processo criativo.

foi por isso que, tendo me desvinculado do teatro (já larguei o teatro 3 vezes), me voltei para

o conto, talvez a forma literária que mais me fascina. por sua concisão, cada período, ou mesmo palavra, acaba tendo um peso enorme na impressão final. por isso mesmo é tão difícil escrever um conto: é coisa para se reescrever muito, reler muito.

empacado ou matutando eternamente uns tantos contos e umas poucas idéias de romance, fui escrevendo poesia muito passionalmente, muito adolescentemente - apenas, talvez, com uma preocupação não muito comum de análise formal, de crítica da minha própria produção.

...essa auto-crítica logo me levou a perceber que como poeta eu não era lá essas coisas (embora tivesse grandes apreciadoras entre eventuais namoradas e amigas da oitava série : ] ), e como contista eu ia ter de ralar muiiito ainda para que eu mesmo me satisfizesse com o resultado.

foi por essa época que finalmente - e, como disse, um tanto por acaso - cheguei à música.

[não percam num próximo post: a (minha) história da música!]

deu pra perceber o fio do processo?

eu fui passando sucessivamente de gênero a gênero, até achar um que fosse, a um só tempo, conciso o suficiente para ser enxergado como um todo; palpável o suficiente para ter uma conexão ativa com o real; e elaborado o bastante para satisfazer meu fascínio pela forma.

a crônica era algo literariamente frouxo, ou fácil, ou bobo;

o romance era grande demais para ser abarcado de uma só vez, exigiria um método que eu não conhecia e uma disciplina que me custa ter;

no teatro eu não tinha autonomia como escritor, porque não podia garantir que aquilo seria encenado, nem tinha como fazê-lo sozinho (mesmo um monólogo precisa de palco, luz, som, figurino ou ao menos, em última instância, de público);

a poesia não era algo que eu estivesse habituado a ler e, por isso mesmo, estava mais longe de dominar suas peculiaridades - e isso por não me interessar tanto mesmo pelo gênero. além do que as palavras ali eram tão fortes, o tamanho do texto ficou de tal forma reduzido, que seria muita leviandade escrever sem me preparar melhor.

o mesmo acontecia, em menor grau, com o conto - eu podia enxergá-lo como um todo, mas as frações, as palavras eram tão carregadas de sentido e expressão, que se tornava torturante a busca da 'palavra exata', desesperadora a paranóia de reescrever e reescrever.

e a música veio me salvar.

a canção é uma forma enxuta, como a poesia e o conto, onde as palavras têm suma importância... mas não estão sozinhas na produção do sentido: dividem o peso da tarefa com o elemento musical.

esse elemento dá margem ainda a uma presentificação semelhante àquela do teatro, mas com uma vantagem: eu posso tocar a música sozinho, e num período curto de tempo. posso me sentar ao lado de uma pessoa e cantar durante quatro minutos - e vai ser algo sensorial, extremamente concreto.

finalmente, embora a canção possa apresentar um alto grau de elaboração formal e estética, isso não se dá apenas no âmbito do texto escrito, nem no âmbito musical - mas sim, e principalmente, no diálogo entre os dois.

nessa peculiaridade da canção harmonizaram-se meus dilemas.

a ênfase na imbricação da palavra com a música 'aliviava o fardo' de cada uma delas. e o 'segredo' da canção estava no estudo e desenvolvimento desse recurso específico: da interação entre palavra e música.

a feitura da parte escrita era apoiada pela da parte musical, e vice-versa - havendo, desse modo, duas vias simultâneas de estruturação do texto final - favorecendo a fluência do texto, e atenuando o problema apresentado pelo Kafka.

ou seja: eu tinha achado um gênero rico em forma e de forte cunho sensorial; pequeno em tamanho e grande em possibilidades! um gênero sob medida para meu criterioso amor ao texto, minha relativa indisciplina, e meu apego à interação física do receptor com a obra.

e nele me embrenhei até o pescoço. com excelentes resultados, hoje posso tranqüilamente constatar.

---

o desconhecimento de toda essa trajetória não impediria meus colegas espancadores de teclados de entender minha proposição sobre o processo criativo e a estrutura do texto; mas certamente os impediu de saber como foi que cheguei a perceber as coisas desse modo.

já acompanhando a exposição passo-a-passo que acabo de fazer dá pra ver que foi um caminho lógico e simples; levou só vinte e oito anos...

---

...e levará muitos outros mais.

resolvi publicar aqui o texto sobre dificuldade de começar porque foi ela, em parte, a culpada pela minha ausência tão longa aqui do humdeabril. acabei fazendo uma 'breve história do texto' - também muito adequada, a meu ver, para este 'retorno'.

quem leu até este ponto sabe que eu nunca parei de fato. porque 'escrever é um ato cíclico'. porque eu observo, penso e trabalho essas questões todos os dias.

por gosto mesmo : ]

---

e quem quiser me acompanhar

ou só saber por onde ando nessa história

seja hoje e sempre muito bem-vindo ao humdeabril!

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beijos paratodos

Dimitri