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dia de sol no clube silêncio

é um clube? há piscinas. pequenas, duas, três. crianças brincam. há também uma plateia - fileiras de cadeiras em degraus suaves. à beira das piscininhas, a céu aberto, sob o sol. do outro lado das piscinas - bem perto - montou-se um palquinho: caixas e mesa de som, amplificadores, bateria, microfones. uma banda evangélica infantil começa a tocar, para alegria de muitos dos presentes. afasto-me das piscinas e subo à última fileira da arquibancada. enquanto subo, caetano veloso assume o palco. começa por contar que viu "o grupo escocês belle & sebastian fazer uma versão horrível de sua (dele) música 'baby'"; que, "se estavam tentando conquistá-lo, os belle & sebastian tinham errado de cara numa coisa: o batom."

nesse ponto chego lá em cima - pra falar com silvia, que está com juli e outras amigas (eu as havia encontrado mais cedo em casa). mas estão na outra ponta da fileira, terei que passar entre as cadeiras pra alcançá-las. nas primeiras cadeiras da ponta de cá encontro marina e tio hely. bem na hora em que caetano vocifera sobre o batom errado dos belle & sebastian. atenta ao palco, marina me cumprimenta brevemente e se levanta pra me dar passagem. em seguida passo por tio hely que, vestindo uma camisa de listras verticais brancas e vermelhas, observa caetano entre intrigado e mau-humorado. tio hely já morreu, então acho melhor falar normalmente com ele; de outro modo, estranharia eu não falar, talvez se desse conta de seu engano de condição - vivo por morto - e sumisse de novo. - e aí, tio? tá nervoso, ele, né? tio hely arma seu típico sorriso jocoso de canto de boca. - tá, né, meu filho? nervosinho ele. e ri.

meus vinte anos de boy

eu tenho um conto
eu tenho um primo
minha mãe perdeu
um dente
(isto sim é uma piada
interna
e ela já dura vinte anos)

---
[com Wilson Reis, Alejandro Zerbino e Marília Palmeira]

no sentido do Leblon

andando ontem pelo Leblon
nada fazia sentido

("isto não faz sentido"
era a frase que me vinha
diante de tudo)

até que -
frozen yogurt - agora em casquinha - R$ 2,90

"isto faz sentido", aventei
- quero um, por favor.
e fez.

questo è un altro gelato
ma il gelato è sempre giusto

aula de francês

quando comecei a namorar L., ela estava ainda no colégio.
"meu pai foi nos buscar", ela contou, "e na porta do colégio encontrou um mendigo. o mendigo era fluente em espanhol, francês e inglês! ficaram conversando em francês, ele e meu pai."
ora hoje, por muito amor que tenha a L., devo dizer: meu francês até dá pro gasto. as aulas no colégio eram boas, sempre levei jeito pra línguas, olá senhor como vai, veio buscar sua filha, ela namora um rapaz um pouco mais velho, vindo de outra cidade? não se preocupe, é coisa que passa, não demora ela terá um emprego, e uma casa, e lhe dará um neto, e muito alegria.
tudo em francês; era muito boa no meu colégio, a aula de francês.

minha mãe, a cobradora do zeppelin


"Silvia e Dimitri queridos,

seguem duas fotos (de ângulos diferentes) do zepelin que era um ônibus que existia em Belém na minha infância. Eu só queria andar nele (havia ônibus tradicionais em circulação também) e Nalzira sempre pacientemente esperava o zepelin para me satisfazer. Durante anos quando me perguntavam o que eu queria ser quando crescer, a resposta vinha pronta: "cobradora do Zepelin"!

Agradeço muito a tia augusta que me enviou as fotos antigas de Belém e nem sei se lembra dessa história.

Beijo da

Marina"

desenferrujando as cordas vocais

ah, essa vida de artista.

de repente, uma canja.

de repente, um setlist:

1. a carne é fraca (epifania vegetariana)
[geral comendo frango com fritas, resolvi entrar causando]

2. rei da guanabara
[estréia mundial de música nova]

3. livro de cabeceira
[assim, sem mais]

4. apito final
["já que estamos perto do maracanã, vamos falar de futebol"]

5. a comida está boa?
[improvisada na hora. começou assim: "na tijuca não tem praia / mas tem o sesc". (Am7/D79). e foi.]

6. eu não consigo me vender direito
[toquei mesmo alternando dois andamentos diferentes? sem nunca ter ensaiado assim? toquei.]

...bom mesmo foi ver um show de hora e meia só de músicas da Flávia (você já tinha tocado tanto tempo assim alguma vez, Flavinha?). como ela tem música boa!

a produção era gentil. mas desorganizada.

fizemos nossa parte. somos cantores sérios. não sisudos, mas sérios.

o público - famílias tijucanas em trajes de banho em fila pro rango ou sentadas comendo - foi receptivo e simpático. ("foi muito bom almoçar ouvindo a sua música, obrigada", a moça tímida veio dizer pra Flávia.)

e Tião nos deu total apoio, todo feliz com suas cordas novas.

foi surreal. foi legal. (quem sabe breve tem mais?)

ah, essa vida de artista.

segundo ato

e eis que, no dia seguinte, nosso herói adentra apressadamente o shopping leblon, e quase colide com uma mulher que, igualmente distraída, observava um produto qualquer, tendo no colo uma criança.

passando rapidamente no exíguo espaço entre a mãe e a prateleira, ele a olha de relance, e só então a reconhece: Fernanda Torres.

...

cidade cenográfica

casal discute a relação no calçadão de ipanema:

ele - eu não tenho respostas pra isso e...

ela - eu juro que não queria que... Fernanda Montenegro.

ele - ?

ela - desculpe: dei de cara com a Fernanda Montenegro.

...e a Grande Dama das artes dramáticas passa impávida em sua caminhada vespertina à beira-mar.

cai o pano.

outro dia outro ônibus

Cecilia Borges disse:

"Queria uma viagem assim pelo 175! Essas coisas não acontecem comigo... a trilha sempre é "Desculpe atrapalhar o silêncio da sua viagem, mas trago a Goiabinha que está de promoção, srs. passageiros...".

Como você, eu seria a platéia do Seo Antônio.

Bjo.

www.cecilia-borges.blogspot.com"

---

cara Cecília,

antes de mais o resto, muito obrigado pela visita e pelo comentário. espero que não se aborreça se eu tomo a liberdade de citá-lo neste post. se o faço é pelo seguinte: você tem toda razão. não é todo ônibus, não é todo dia...

sabe, minha reação típica seria responder ao seu comentário argumentando que oh, mas depende de nós estar sempre com os ouvidos abertos, o artista deve conservar sua capacidade de se surpreender, não entendo como as pessoas podem preferir andar de carro, etc., etc.

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...MAS eis que, no dia seguinte, no mesmo trajeto (bom, não de todo: desta vez era a Barata Ribeiro mesmo, um 583 com muitos lugares vagos), a variedade da fauna humana sentada às minhas costas era beeem diferente. veja só o que ela me proporcionou ouvir:

entro no ônibus vazio. cato duas moedas num pote de filme, pego meu discman (filme de máquina? discman? totalmente vintage), meu livro...

- alô, fulana? (a menina atrás de mim atende o celular)

- caaara, eu tava pensando em você! eu fui pegar o celular pra ver se alguém tinha ligado, e aí tava tocando e aí era você! e aí? (e aí que ela era o cliché do cliché do sotaque carioca. e prosseguiu:)

- mas fulana, que saudade, tá sumida! mas me conta, tá sozinha, ou o fulano tá aí contigo? ahahahahahaha. então, porque eu tô voltando agora, eu tava lá na clínica, é, de cirurgia plástica. eu vou fazer a cirgurgia, né, a operação... pra botar os peitos! marquei pra dia tal. (eu lembro de um tempo em que fazer plástica era tabu. era segredo. imagino que agora deve haver quem minta que fez plástica, e não o inverso.)

- não, que nada! vou botar os peitos, cortar debaixo do braço pra tirar aquelas gordurinhas, tudo só três e quinhentos. (vou fazendo mentalmente um cálculo difuso que inclui variantes como o salário mínimo, minha própria conta bancária, o custo pra liberação de fonogramas, o custo de um almoço em Copa... essa parada de plástica estética é mesmo uma idéia genial em termos de criação de necessidades. ah, o Capital que circula. três mil e quinhentos reais. e ela sentada atrás de mim aqui no circular.)

- não, é no Leblon. ele é daqueles, ele te deixa super à vontade, sabe, pra falar das coisas.

---

nesse momento fui eu quem ficou suuuper à vontade pra pôr os fones, apertar o play e mergulhar no livro.

pois é, Cecília: nem todo ônibus leva o Seo Antônio. acho melhor insistirmos no 175.


se não tem Seo Antônio
o jeito é cantar eu mesmo.
lalala.

no ônibus com Anthony and the Johnsons

há algum tempo atrás (meu "há algum tempo" é ótimo: só faz distinção entre "há uns dois meses", "há uns dois anos", "antes/depois/durante de eu morar em São Paulo", e umas poucas outras datas...) há algum tempo a Bel Butcher me apresentou uma banda exótica: Anthony and the Johnsons.

éxotica, pra começar, porque a banda é na verdade um cara só (peraí: logo EU estou dizendo isso?!) e - principalmente - porque esse cara é muuuito peculiar: branquelo, bochechudo, com voz de mulher, empostação de coroinha favorito do padre e um vibrato inesgotável, que dá a impressão de que ele está sempre sendo sacudido pelos ombros, ou cantando debaixo d'água.

é bonito, o som. e um tanto perturbador, o conjunto da obra.

(enfim, sob medida pra Bel, fã devota de David Lynch...)

pois bem: eis que ontem (sexta) à tarde eu peguei um ônibus com o tal Anthony-and-the-Johnsons.

ou melhor, com o Seo-Antônio-e-os-Joões.

claro que num ônibus do Rio a gente espera de tudo - vendedores sem mercadoria, imitadores do Michael Jackson tocando bumbo, e certa vez viajei acompanhando uma jam session entre um violinista erudito e um grupo de pagode num 583 com luzes coloridas - mas confesso que nunca me passara pela cabeça encontrar o Anthonyandthejohnsons num 175. talvez Gabriel O Pensador, quem sabe, mas não o esdrúxulo Tony.

mas quem deparei ao entrar no 175 lotado (que peguei pra tentar escapar pela praia do trânsito da Barata Ribeiro, já que estava atrasado pra uma sessão de mixagem com Silvia e Carol Monte) foi justo o tal Anthony, versão brasileira Herbert Richards.

tratava-se de um senhor não muito velho - agora me toquei que mal vi a cara da figura! - que, indiferente à possível reprovação dos seus companheiros de viagem, cantarolava distraidamente um samba antigo (bem, pelo que sei o samba podia ser muito novo, podia estar sendo inventado na hora, até; do jeito que o cara cantava, qualquer coisa pareceria antiga).

assim que pude, sentei-me no banco bem à sua frente e, ao invés de (como o sujeito sentado ao seu lado) pôr os fones do discman (pois é, eu também sou antiquado: nada de ipod. mas meu discman toca cds de mp3, uau!) apenas abri um livro e apurei os ouvidos.

Seo Antônio cantava distraidamente, de si para si, por assim dizer, mas eu, como cantor de ônibus que já fui (ah, a empáfia adolescente!), reconhecia em alguns crescendos, em alguns mezzo-fortes de nosso herói a consciência da presença da platéia forçada e - por que não? - a esperança secreta de encontrar entre os passageiros do 175 alguém que desse o devido valor àquele talento vocal imcompreendido.

pois bem: esse fui eu.

fui eu, que acompanhei interessadíssimo as interpretações do cantor do coletivo - ou antes, A interpretação, visto que ele cantava todas as músicas exatamente da mesma maneira: passando rápido pelos graves, pra chegar logo aos agudos - que são o que interessa, não é mesmo? -, atacando estes últimos com vontade, prolongando as notas num gorgolejo doce, quase como um passarinho.

fosse Seo Antônio assoviador e não cantor, cairia certamente na categoria que o lendário Cláudio Chagas classificava de "velhos no banheiro": "você já reparou, Dimitri", dizia-me o Cláudio, "que os velhos não assoviam como nós? eles assoviam cheios de trinados, vibratos e floreios. quer ver, pode reparar quando você estiver num banheiro de parada de caminhoneiros, ou coisa assim, ouve só!". e era verdade.

MAS Seo Antônio era cantor e - acreditem na palavra deste fã - dos bons! ainda que eu tenha pensado que não aturaria um show inteiro daquela voz tremida. pensei em sugerir a ele que variasse a empostação. pensei em sugerir que gravasse um compacto duplo. pensei em me virar pra trás e me oferecer pra produzir e lançar o disco do Seo Antônio e os Joões. afinal eu piro rápido, e mesmo na praia havia trânsito.

outro ponto pitoresco em meu ídolo de ocasião era sua visão das letras; depois do samba, Seo Anthony apurou a garganta e mandou ver uma seleção de covers internacionais: temas de filmes, canções românticas melosas dos anos 80... a certa altura chegou no "now or never", clássico do Elvis, aquele com a melodia do "sole mio". vibrei. não tanto quanto as cordas vocais do rouxinol do buzum, mas vibrei.

e todas essas músicas eram mandadas num belíssimo embromation, um embromation austero, brioso - como não se faz mais, diria o Cláudio.

antes que chegasse meu ponto, para meu deleite, o legítimo canário voltou ao cancioneiro nacional, soltando os agudos na versão em Português de "fascinação" (aquela mesma que a Elis Regina gravou). quer dizer, em Português até certo ponto, pois nessa altura percebi que ele empregava nas letras em língua pátria o mesmíssimo expediente de embromation que usava nas gringas - adaptando apenas, e com maestria, é claro, a sonoridade dos fonemas-caô com que substituía partes desconhecidas das letras.

desconhecidas ou desprezadas: claramente Seo Antônio é desses músicos puristas, um artista da melodia, que não liga pra essas bobagens de letra de música - coisa de quem não tem ouvido. e ouvido o velho tinha, era muito afinado.

saltei do 175 com um pouco de pena (é, aqui no Rio a gente salta do ônibus, mesmo que esteja parado), inclusive porque bem nessa hora desabou um toró e eu cheguei encharcado na casa da Carol.

não me despedi do cantor do ônibus, que seguiu pelo engarrafamento à beira-mar, com certeza ainda achando que cantava só para si.

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PS: já que não tenho o link do Seo Antônio, vai o do Anthony gringo mesmo. o caro leitor por favor faça as necessárias adaptações.

http://www.myspace.com/antonyandthejohnsons

um beijo, Bel!

quem é maaais sentimental

guto lacaz
sabe o que faz :]

[trechos de diálogo ocorrido hoje, logo ali em ipanema]

CM - cara, o american idol arrasou, segunda-feira. chorei!
DBR - (risos) foi? quem arrasou?
CM - (entre risos, escandindo as sílabas) me-lin-da doo-li-tle.
DBR - sei. a que tem um cabelo assim. que era backing vocal?
CM - essa.
DBR - e você chorou!
CM - chorei. (risos) cara, eu sou mó otária com televisão: eu choro com tudo!
DBR - (risos) sei como é. eu também às vezes choro com umas coisas que eu não acredito.
CM - eu também.
DBR - cara, dia desses eu chorei com uma parada... era um filme sobre o "milagre de berna". você não sabe o que é isso não, né?
CM - hum, não, que que é?
DBR - então, é um filme sobre uma copa do mundo de futebol de 1900 e pouco. a parada é basicamente assim: a hungria era muito melhor que a alemanha. era pra alemanha ter perdido, mas a alemanha ganhou. e era uma copa da alemanha, o jogo foi em berna. daí chamar "o milagre de berna".
CM - e aí você chorou?
DBR - pois é! eu só vi o final, que é uma reconstituição da partida. daí, quando os alemães passaram na frente, eu comecei a chorar, uhuhuh, a alemanha ganhou!
CM - (risos) é foda. é foda, o L fica de cara. às vezes tá passando um programa idiota, a gente tá vendo. daí ele sai pra pegar uma água. quando volta, eu tô lá: uhuhuh (risos)!
DBR - ah! você chora na frente de outra pessoa? ah, isso eu não consigo.
CM - eu não consigo segurar!

[enquanto conversam, CM vai editando algumas músicas de DBR que acabam de gravar, voz e violão, um microfone; vão ouvindo as músicas e comentando]

CM - que bonitinha essa!
DBR - essa eu também gosto bastante.

[outra]

DBR - essa aí é um patamar de pop acima das outras. isso é muito pop.
CM - ah, eu gosto.
DBR - essa a gente tocava numa outra banda, eu e o Q. daí, com o tempo a gente foi ficando muito cool, sabe, e não queria mais tocar. mas era a preferida do baixista, e daí a gente sempre acabava tocando. ele sempre convencia a gente.
CM - pô, é bonito, isso!

[ouvem um pouco mais]

DBR - cara, sabe, eu acho que se eu não segurasse um pouco, eu não ia conseguir cantar nada, nenhuma música. porque eu ia começar a chorar. eu ia começar a cantar isso aí e ia começar a chorar! daí eu preciso de algum distanciamento mesmo, senão não dá.
CM - saquei.

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[notas do editor: berna fica na suíça, e a copa do mundo em questão foi a de 1954. os sentimentais às vezes se equivocam com detalhes factuais...]

"ei, canecão, vai...."

notícia rapidinha, diretamente da minha janela:

logo ali abaixo uma pequena multidão vaia, bate as mãos e, de vez em quando, ensaia um côro:

"ei, canecão, vai tomar no cu!"

o motivo?

problemas na venda de ingressos de um show que só estreará daqui a um mês, e ficará em cartaz por, no mínimo, 4 fins-de-semana.

o artista?

ele mesmo: o velho Chico.

Chico Buarque, o outrora sambista declarado, hoje (meio à revelia) bastião de uma entidade amorfa e moribunda chamada mpb.

[IMPORTANTE: não vá pensar que eu disse, nem por um instante, nem por brincadeira, que a música brasileira possa estar em crise; é à tal da "MPB", sigla balaio-de-gatos para acústicos & valvulados pop-açucarados xubiduba, que eu me refiro!]

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escrevi isso há alguns dias, mas uma amiga chegou aqui e acabei não completando o post;

a novela dos ingressos durou até a manhã seguinte - sim, durou, continuamente:

depois de um dia inteiro de espera, de muitos protestos irados, da chegada da polícia e de a bilheteria ter ficado aberta parte da madrugada, ainda houve quem dormisse (!) na porta da casa de espetáculos, para garantir o direito de pagar, e caro, para ver o Seu Francisco.

por mais concorridas que sejam as raras apresentções do grande cancionista paulista (que, por sinal, começou em São Paulo a temporada deste seu disco "Carioca"), a velha choperia de Botafogo já teve tempo de sobra pra aprender a lidar com a demanda, não é mesmo?...

...sem contar que, segundo consta (Silvia garante) , há quem não encontre a mesma dificuldade para adquirir os almejados bilhetes. a saber, os cambistas. :O

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aproveitando a maré, foi lançado recentemente um livro com todas (TODAS!) as letras do Chico, e mais uma longa entrevista, na qual ele comenta sobre várias composições, e composição em geral.

dei uma folheada, lá no Letras & Expressões, e já fiquei com água na boca, lendo os trechos de como o Tom sacaneava as partes de letras de que não gostava.

muito interessante também o Chico dizendo, em seguida, que alterou parte de uma letra do Carioca, após pensar numa sacanbagem que o Tom faria, caso estivesse vivo.

ou seja: o Tom continua parceiro do Chico, mesmo depois de morto!

[em tempo: a música em questão é "sempre", de cuja letra eu gosto muito, até já postei aqui.

no dvd que acompanha o cd (agradeço àLaura, que me deu o cd :) é mostrada parte do processo de definição dessa letra.

a canção chegou a ser gravada num estágio anterior (e pior), para a trilha do filme "o maior amor do mundo" - provavelmente em conseqüência da anedótica incapacidade do compositor em cumprir prazos de encomendas... (pra quem não sabe, a maravilhosa minissérie "anos dourados" tem um tema instrumental na abertura, porque Chico não entregou a letra para a compisção de Tom a tempo! :) ]

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será que a banda do Canecão tocaria
o alegre refrão improvisado pela multidão indignada?
"ei, Canecão..."

:]

Pluft!


Conheci a Maria Clara Machado e ela era uma velhinha supimpa e arretada.

vou contar uma historinha exemplar, um dos primeiros contatos que tive com ela:

todo ano uma galera dormia (talvez hoje a política do medo as impeça de fazê-lo) na porta de seu teatro-escola, o famoso e espetacular Tablado, na esperança de obter uma vaga nos cursos livres de interpretação que tantos bons (e alguns maus, é verdade) atores já pôs no mundo.

pois bem: eis que, na manhã do dia das inscrições, bem cedo, quando a algazarra adolescente tentava, ainda sonolenta, se converter em fila - a qual fazia facilmente a curva no quarteirão - vem chegando D. Maria Clara, a dona mesmo do negócio, criadora daquele (realmente incrível!) espaço, espaço que era razão de todo o alvoroço.

assim que se depara com a fila, ainda de longe, ela já começa a gesticular e vociferar, irritadíssima:

- vocês estão loucos! voltem pras suas casas! não tem vaga, não, vão embora! vocês são loucos!

genial, a Maria Clara.

...e Pluft!

oh, não: terra de cego 3!

puta que pariu 100 vezes.

inacreditável.

já estava pensando no que postaria para comemorar a (também inacreditável) marca de 100 posts que este blog acaba de atingir,

mas eis que essa bizarra onda de desventuras oculares em série me obriga a comunicar-lhes seu 3o capítulo hoje:

perdi minha oftalmologista!

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eu explico - aliás, explicar, eu não explico, porque não sei o que está acontecendo!! eu relato, apenas:

estava eu ingenuamente achando que o assunto estava bem encaminhado, minha consulta marcada pra 3a com a médica da Marina e da Silvia (por razões previamente citadas), quando recebo hoje uma ligação no celular (e logo de um "número confidencial", que sempre poderia ser de origens tão mais interessantes):

a médica desmarcou minha consulta!!! porque terá de dar uma aula na 3a feira, e não irá atender.

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incrível.

e acho que agora já me decidi quanto a fazer uma operação corretiva para meus problemas de vista: não vale o risco!

o mínimo que ia acontecer era me transplantarem uma córnea de cão, e eu passar a enxergar tudo cinza. ou a achar postes especialmente atraentes. e não me refiro a meninas altas e magras.

AYayayayayay.

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desejem-me sorte: vou ligar pro Rio Sul, pra ver se alguma ótica lá tem óculos prontos em graus diversos, pra eu usar até a semana que vem.

o Aron está chegando aí pra trabalhar, e não vai ser nada agradável ficar editando imagens com os olhos ardendo. :/

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beijos paratodos

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EDITADO 5 minutos depois:

ok, DESISTO. não existem óculos pré-fabricados para astigmatismo.

por favor me contem como é o mundo lá fora. vou estudar japonês em braille, pra poder assistir filmes do hayao miyazaki sem legenda.

terra de cego 2 - a cega continua (sic)

do jeito que eu estou tendo de ficar perto da tela,
alguém de dentro do computador
veria meus olhos assim


pqp2:

perdi minha ótica!

calma, caro leitora (sic): não enlouqueci devido à dificuldade de enxergar - apesar de ter feito infinitas vezes o gesto de pegar meus óculos no bolso, ao longo do dia, e de isso ser um tanto enlouquecedor.

sucedeu isso mesmo que lhe relato: minha ótica sumiu! volatilizou-se, escafedeu-se!

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foi aasim:

na ânsia de resolver minha situação o mais rápido possível, eu tencionava pular a parte de ir ao oftalmologista, ligando pra minha querida Ótica Pamel - a qual eu, como cliente antigo, ainda insistia em chamar "Santa Luzia" - e perguntando se eles ainda guardavam minha receita de há quatro anos. não era um disparate, acredite: eles tinham tudo muito bem arquivado!

...só que, pois é, eu disse "tinham".

telefonando para os dois númeors fixos e dois celulares que constavam na minha detonadíssima caixinha de óculos (essa mesma que hoje em meu bolso tanto contribuía para que eu repetisse o gesto infrutífero de buscar os óculos que não estavam lá; tê-la no bolso está de tal modo arraigado em mim, que não soube sair sem ela, mesmo vazia de óculos - mas ainda cheia com minha chave de casa, uma bic preta e uma vermelha. a palheta azul eu esqueci outro dia na casa de uma amiga) telefonando para esses números não obtive resposta.

procurei na internet e nada. enauqnto liguei para 102 pensando "quando for lá, vou recomendar a eles que façam um site", e no 102 me deram o telefone pelo endereço... da ótica Dalva. Dalva?! teria a Pamela mudado de nome novamente? não me parecia provável.

aliás, para meu temor, tinha a impressão de que Dalva era a ótica vizinha (pra quem não conhece, a Rua Buenos Aires tem uma ótica ao lado da outra, em toda a sua extensão). e meu receio era justificado: na falta do número da Pamela, liguei para a Dalva - e a senhora que atendeu me informou, com um quê de mexerico, que a Pamela fechara há mais de um ano!

oh, não!

a senhora ainda me ofereceu, solícita, os préstimos de um oftalmologista seu conhecido, barateiro, rápido e conveniado; mas não adianta: eu escolhera a Pamela - ou antes, a Santa Luzia - depois de percorrer todas as óticas da Buenos Aires, por duas vezes; só a partir da terceira é que me convenci de que meu destino estava na minúscula Santa Luzia, com seus ócuilos bacanas e a bom preço, e sua dona simpática sem excessos, que guardava minhas receitas e me tratava pelo nome.

agradeci à tal da Dalva e fui marcar uma consulta com inha oftalmologista - que só tinha horário na próxima terça-feira!...

aliás, minha oftalmologista não: da Marina, da Silvia. será minha primeira consulta com ela, porque, por implausível, ridículo que vá parecer mais este dado na trama.... meu oftalmologista morreu!

ok, já faz muitos anos, mas ainda assim!!

ayayayay.

será olho gordo? será que alguém faz tanta questão de que eu não veja alguma coisa?

cruzes, sai pra lá!

nada de olho-maior-que-a-barriga. tenho olho vivo. sempre fui um bom olheiro.

olha lá, lá vem a mina...

vou ali olha uma foto pra pôr neste post.

e depois vou é dormir, que amanhã tenho de olhar as incríveis fotos da sessão de fotos de diivulgação do 3a1!

boa noite e fiquem de olho aberto por mim, por favor.

um beijo nos olhos.

terra de cego

putaquepariu, perdi meus óculos.

pena, eu gostava muito deles: meus primeiros com armação de aro grosso, compunham a minha cara que os outros viam - e me ajudava a enxergar as caras dos outros - há quatro anos. comprei-os pouco antes de ir à Europa pela primeira vez, em 2002 (ok Dimitri e caros leitores: sem simbologias, analogias ou ave-marias, por favor).

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a tragédia (!) aconteceu em algum ponto entre a Unirio e a Morada do Sol; um trajeto curto, mas com bastante espaço pra se perder um objeto pequeno...

eu tinha acabado de ter uma ótima notícia - a de que, assim como eu, os professores não estavam a fim de voltar às aulas esta semana, e todos deixaram bilhetinhos num mural ou nas portas das salas, anunciando em bom Português: "tem mas acabou. hoje só amanhã. volto depois do carnaval." etc.

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voltava pois para casa, serelepe e cantarolante (aliás eu ia postar só letras de músicas aqui), já formulando os dois emails importantes que eu poderia escrever, aproveitando o tempo ganho.

daí, num passe de mágica (de má mágica, por sinal, má e boba e feia), pluft!* entrei em casa, e já não tinha lentes para encarar a tela do computador.

[*copyright Maria Clara Machado]

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daí meu tempo ganho virou tempo conscientemente perdido, empregado na busca, com pouca esperança de êxito, por meus queridos óculos, naquela base do refazer-meu-caminho-e-perguntar-pro-porteiro-jornaleiro-policial-camelô.

andei tudo de volta atéé a Unirio, onde usara os óculos pela última vez, perscrutando o chão - primeiro ao acaso, depois focando nos gramados e arbustos próximos a ligeiros obstáculos de terreno, porque imaginei que os óculos teriam caído do meu bolso numa parada pra amarrar o sapato, e que era preciso que tivessem aterrisado sobre uma superfície fofa, pra eu não ter ouvido o barulho (a despeito de o meu ouvido esquerdo estar ruim, mas isso é outra história).

no entanto toda a minha dedução, desta vez, não deu resultado. e todas as pessoas consultadas estavam como eu: ninguém viu nada.

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aliás, por essa altura comecei a pensar na ironia de estar procurando um par de óculos, sem enxergar direito, sob a luz cada vez mais fraca do entardecer nublado, bem em frente ao Instituto Benjamin Constant.

num dos meus livros favoritos - "os amores díficeis", do Italo Calvino - tem um conto chamado "a aventura de um míope". nele, um cara que se mudara para a capital do país retorna, depois de anos, à sua cidadezinha natal, para uma visita. e logo, passeando pelo calçadão local, se lhe apresenta um dilema: quando ele está com seus grossos óculos, que não usava antes de mudar-se, ele reconhece os antigos camaradas - mas estes não o reconhecem; já se caminha sem os óculos, é reconhecido e cumprimentado - mas não consegue identificar por quem!

presa desse paradoxo, ele perfaz por diversas vezes o percurso do calçadão, ora pondo, ora tirando os óculos, hesitando entre o temor e a esperança de reconhecer ou não, ser reconhecido ou não, por um amor de sua juventude...

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pensando nessas coisas e cantarolando outras melodias, voltei pra casa sem os óculos, após receber pelo caminho a solidariedade e consternação de todos a quem perguntei se, por acaso, não tinham recebido uns óculos extraviados.

parece que o ser humano ainda é capaz de se solidarizar com os pequenos dramas comuns de seus pares. :]

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pena, mas, fazer o quê? fazer novos óculos, que digitar isso aqui sem eles está uma tortura.

quem sabe a famosa conexão direta da Tia Augusta com São Longuinho ainda não promove o reencontro entre mim e meus amados óculos retangulares?

enquanto isso, nem espera, nem lamento: vou aproveitar que, afinal, não tenho aula amanhã (oba!), e darei um pulo na diminuta Ótica Santa Luzia, a ótica mais buena onda do Rio (bem, pelo menos por minha experiência, de mais de uma década :) .

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beijos e abraços aos caros leitores. espero que todos estejam lendo este texto com menos dificuldade do que eu! :]

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alguém viu meus óculos por aí?
tentei usar esse jacaré ao invés deles,
mas não tem o mesmo efeito


pingar limão também não resolveu


digam aí se a gente não fazia um belo par


NOTA DO EDITOR:

há algumas semanas o meu amigo Mantovani, com quem escrevo o folhetim Jamais sentirei fome novamente - que por sinal está bombando, quem não leu ainda, passe lá pra conferir! - me consultou por email acerca de um assunto delicado:

o que fazer com um rato morto que começava a apodrecer no seu quintal?

[outro dia a pergunta era sobre valium; e antes sobre o horário de um festival de dança; adoro ser procurado para consultas aleatórias! dúvidas de Português, sugestões para presentes... e eliminação de restos mortais de roedores indesejáveis]

por algum proustiano gatilho da memória, considerar a respeito do tal rato me suscitou uma série de lembranças, associadas de maneira bastante tênue e oblíqua ao tema original - lembranças essas que transmiti ao Mantovani com uma tal riqueza de detalhes e referências, que o email agora vira post, transcrito na íntegra abaixo

e tratando, como vocês poderão ver, de anos 80, pedagogia cabeça, desenhos new-wave , minha estréia na música, cultos esotéricos, Legião Urbana... e até mesmo

de como remover um rato morto do seu quintal : ]

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onde você estava em novembro de 1985?

quando eu tinha 9 anos, meu colégio (cujos alunos mais velhos e repetentes tinham 11-12, pois só ia até a 4ª série) organizou o I Festival de Pequenos Grandes Músicos do Instituto Santo André.

Pediram então que os alunos interessados em cantar se inscrevessem (não tinham a pretensão de que ninguém soubesse tocar, embora jurassem que a iniciativa mesma do Festival viera da constatação de que muitos alunos cantavam e até compunham músicas).

Não era o meu caso; como se sabe (?), naquela época era certo que eu seria escritor, ou cientista, ou, no máximo (nessa ordem), dramaturgo ou ator.

Devo ter considerado cantar, morrido de vontade, de fato não me lembro; mas a timidez incipiente, e a falta de uma boa desculpa pra ir ao palco (eu que não ia estrear cantando cover rrs!) me fizeram encerrar o assunto como 'fora de cogitação'.

Resolvi, contudo, participar em outra de minhas áreas de atuação - enviando um desenho para a seleção de cartazes do Festival.

[porque haveria cartazes, impressos coloridos numa gráfica, e tal. acontece que apesar de pequena, ou por isso mesmo, minha escola era freqüentada pelos filhos da inteligentsia (é assim?) zona-sulense, enfim, você conhece a equipana ladainha: filhos de diretores de cinema, artistas plásticos e advogados polêmicos.]

era o ano de 1985 (o pequeno Manti não estaria nem aprendendo a ler, não fosse o fato de que ele já o fizera, por conta própria, 1 ano e meio antes...), ano do Rock in Rio 1, época de lançamento dos principais fenômenos do BRock - os primeiro discos do Legião e Capital Inicial, o antológico 'Passo do Lui' dos Paralamas...

ano também de grande evidência do casal de metaleiros (?) Baby Consuelo e Pepeu Gomes, egressos da baianidade via guitarra punheteira de um, histeria vocal da outra, e cabelos coloridos de ambos.

período de evidência, também, da bizarra seita/culto do Thomas Green Morton (será que é assim?), o cara do 'RÁ!'

[acho que você tá ligado nesse lance de RÁ!, acho que já falamos disso; se não, fica mais difícil um pouco. calma que o rato já vem.]

pois bem. havia ainda no Rio uma marca de surfwear (que naquele tempo não se chamava surfwear, pelo menos não fora de campeonatos de surf) chamada 'Rato de Praia'. e o que era o tal rato? nada mais que uma espécie de 'big johnson' carioca (meu deus, é uma miríade de referências), um rato humanóide e bem feio, com cara de... bem, de rato-de-praia, envolvido em situações maneiras - entubando a onda, pegando mulher, etc.

como bom nerd, eu adorava aquela coisa escrota e marrenta, 'tudo o que gostaria de ser', snif (não é bem assim! rrs), mas enfim: misturei essas coisas todas em minha poderosa mente criativa de 8 anos e...

ACHEI O SLOGAN PERFEITO! (a palavra e o conceito de 'slogan' eu aprendera com o marido publicitário de 'A Feiticeira')

desenhei um arremedo de Rato-de-praia, vestido de metaleiro - o desenho era mero veículo pra 'genial' idéia do slogan - e lasquei um balão enorme:

- RÁ! TÔ NO FESTIVAL!

incríível, não.

...a partir daí a parada degringola de uma forma que você, como talvez poucos outros camaradas, poderá compreender em sua plenitude. Lembra a gente falando dos ridículos causados pelo puxa-saquismo de professores em relação a alunos superdotados-superinteressados - isto é, nós?

pois bem: várias pessoas entregaram seus desenhos, na escola todo mundo desenha, e tal, mas eu estava certo da escolha do meu.

só que, de última hora, tiraram a decisão das mãos de meus admiradores - o corpo docente - e instituíram a democracia, a sempre maldita democracia (que também era bola-da-vez no Brasil de 1985!), naquela ocasião representada por uma exposição com uns tantos desenhos pré-selecionados pelos professores, devidamente numerados, para que cada aluno preenchesse, ao final de sua visita à exposição, uma cédula, a ser depositada numa urna colocada ao lado da porta.

aí já viu né. ao final de dois dias de votações, no turno da manhã e da tarde, o resultado afixado declarava vencedor um desenho de uma mulher new-wave com umas notas musicais voando, feito pela Luisa Marcier - a menina mais mudernosa do colégio, 'velha' da 4ª série, que inclusive cantou no Festival, com umas perucas prateadas e rosa-shock, e hoje em dia é figurinista, já tendo feito, por exemplo, aquele paletós gigantes que o Latino usava na época do "Me leva"!...

o rato de nosso herói figurava lá, com seu desenho tosco e seu genial slogan, em segundo lugar.

e aqui é preciso que reflitamos mais uma vez sobre a inconseqüência que rege as ações de determinados profissionais de ensino.

como é que pode aqueles ADULTOS, supostamente iniciados das pedagogias da vida, como é que pode eles chegarem pra uma CRIANÇA DE OITO ANOS, pra mim, e dizerem algo como: "nós já tínhamos escolhido o SEU desenho, mas agora vamos TER DE fazer o cartaz que foi mais votado."

eu fiquei inconformado, é claro; se não me engano sugeri que fossem feitos os dois primeiros, ou que os professores mandassem a democracia tomar no cu - embora, num incrível desprendimento para mim na época, eu tenha reconhecido que o desenho da menina era legal.

(...não mais que o meu, é claro.)

porra! se aquela era a postura dos profissionais que deveriam estar contribuindo para minha formação! certamente que contribuíram, mas diga lá, Mantovani: quantos anos de Equipe você precisou, quantos de Tablado e CAp eu levei, quanto tempo de vida a gente precisou pra descobrir que não era assim que a banda tocava, e parar de tentar cometer suicídio social?

[estamos em 2003 e ainda ontem comentávamos, empolgados, de como era bom estar escrevendo em conjunto, sem auto-suficiência, construindo algo que nos pertence e representa a ambos. eu tenho agora 27 anos; não que eu tenha levado até ontem, mas que demorou, demorou, né.]

é provável que esse episódio tenha contribuído para que eu vencesse a timidez E o II Festival, no ano seguinte, na categoria 'melhor música' - a interpretação era mero veículo, de novo... nesse II não houve concurso de cartazes, e apenas foram permitidas composições próprias (da molecada de 3ª e 4ª séries, e de um único bravo pirralho da 2ª!)

ao levar o prêmio deixei pra trás meu amigo Pablo - vencedor do ano anterior, compusera dessa vez um samba-canção de forte apelo popular, sobre a despedida e separação ao final da 4ª série (cara, que crianças éramos essas?!), nos moldes do então recém-lançado "o que é, o que é?", do Gonzaguinha (houve inclusive quem acusasse o Pablo de plágio.)

o Pablo tocava piano erudito desde os 4 anos e cantava no Coral do Theatro Municipal (inclusive ele hoje em dia é compositor, formado pela Unirio e tal); ele tinha certeza de sua vitória, embora ficássemos, eu e ele, num joguinho de hipocrisias ("que é isso, a sua música é melhor", "não, é a sua!"...)

resultado? bem, até hoje ele está convencido de que foi injustiçado, e achou alguém do júri (terá sido a Luisa Marcier? puseram alguns ex-alunos no júri, aquele ano) pra lhe dizer que ele só não tinha ganho por não terem querido premiá-lo dois anos seguidos, etc...

outra vítima do sistema de ensino.

[...mas é claro que a MINHA MÚSICA ERA MAIS LEGAL! huahuahuahua]

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ah! e quanto ao rato morto no seu quintal??

cara, eu vejo a coisa dessa forma: se o rato está morto, não há muito problema. descole dois sacos plásticos, ou luvas, e vá em frente. localize o cadáver, ensaque o bicho, deposite diretamente no local de coleta, se possível, ou num saco maior já no ponto de fechamento, e vá tomar uma gostosa ducha, ouvindo música.

há indícios de que possa haver outros ratos? em caso afirmativo até caberia contratar alguém para o serviço - é claro que você pode contratar alguém, dá pra contratar alguém pra fazer quase qualquer coisa hoje em dia; a questão é qual o profissional adequado para a tarefa. minha sugestão? convoque um faz-tudo com especialização em jardinagem (atende pelo nome de jardineiro). e dê a ele um veneno de rato, previamente comprado no centro de SP. Ele vai capinar, fuçar, recolher o rato morto e espalhar bolinhas de veneno (atenção: NEM COGITE se houver outros animaizinhos envolvidos.) melhor ter um outro rato morto, que um novo rato vivo. e ainda dá um trato no seu jardim.

a solução mais legal? chame o Alfredo. ofereça um rango, umas brejas, um jogo e um papo a ambos vocês, e partam unidos e risonhos para enfrentar o rato. (o Duique mora mais perto e removeria o rato sozinho, mas possivelmente jogaria terra em você gritando que era o rato morto.) ou diga pra uma das meninas te acompanhar, de longe. nada como abdicar da auto-suficiência, né?

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quanto às modificações no site, adorei. vamos em frente, e estou te esperando daqui a uma semana pra fazermos a filipeta, não sei se com cola e tesoura, mas juntos (quem sabe até com a Silvia; se ela puder, tenho certeza de que ajudará, e seria uma boa ajuda... a Graziela idem, especialmente se formos, de fato, usar tesoura e cola, e não 'copiar' e 'colar'.)

besos muchos

Dimitri

RÁ!

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