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a primeira vez de Dimitri e Chirol

1 Vitor Chaves
2 Roberto Carlos
3 Edu Ribeiro
4 Djavan
5 Akon
6 Rick
7 Caetano Velloso
8 Erasmo Carlos
9 Herbert Vianna
10 Gilberto Gil

esta é, de acordo com o ecad, a lista dos dez compositores que mais arrecadaram direitos autorais com música na região sudeste do Brasil, tendo por referência o mês de abril deste ano (o ranking completo dos 50 primeiros, outras regiões e períodos especiais - como Carnaval e festas juninas - está no site).

a maioria dos nomes é de gente acostumada a freqüentar o topo dessa lista há DÉCADAS, angariando a cada mês dezenas, centenas - sei lá eu, milhões? - de reais em função de suas criações musicais, tremendamente populares e consistentemente executadas em shows, rádios, festas e em qualquer lugar em que haja um radinho pelo Brasil adentro (e pelo mundo afora).

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pois bem: muito, muito longe desse Olimpo da propriedade intelectual musical, lá nos mais recônditos grotões da escala dos dividendos autorais, aconteceu faz uns 10 dias um pequeno incidente, um diminuto movimento - digno de nota, todavia, por este blog, posto que envolveu alguns dos personagens que lhe são mais caros, inclusive este redator.

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eis o que se deu: na quarta-feira à noite, devido a um engano de agendamento, o 3a1 foi levado a remarcar emergencialmente seu ensaio, transferindo-o para sexta-feira.

um tanto desanimados por verem frustrada sua oportunidade de ensaiar e moderadamente irritados por terem interrompido outras atividades em função do ensaio que afinal não houve, nossos intrépidos músicos tomaram algumas providências práticas e forma buscar outro modo de aproveitar a noite juntos.

Silvia voltou para seus "trabalhos diurnos" (que não raro adentram noites e madrugadas), e os restantes - Dimitri e Hofty - resolveram reunir-se na casa de Chirol, com o inocente intuito de conversar, tomar algumas cervejas e jogar o novo streetsoccer que o maduro papai Chirol se dera de dia dos pais.

ainda na casa de Dimitri, este e Hofty se preparavam para sair, quando o anfitrião maquinalmente abriu uma correspondência da abramus (sociedade autoral à qual Achilles e Dimitri são filiados desde o ano passado).

[cansei dessa parada de terceira pessoa. isso aqui também está pernóstico, é o sono, vou mudar de registro.]

juro que eu achava que seria um boletim mensal, notícias de reformas na sede, anúncio de músicos associados que tocariam nas olimpíadas, etc.

nada disso: era minha primeira vez.

era minha primeira vez que, como sói acontecer [lá vou eu de novo, é o sono, é o vício, releve], chegava assim sem anúncio.

era um pequeno extrato e um recibo, indicando que eu acabava de receber um pagamento de direitos autorais!

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confesso, fiquei um tanto transtornado. estava sem os óculos, abria aquilo com a displicência que se dedica a um folheto de propaganda de assistência dentária - e era, por assim dizer, um marco na minha pequena aventura pessoal com a música.

enquanto procurava meus óculos - que hora para sumirem! -, Hofty tomou do documento e confirmou, leu os detalhes.

era aquilo mesmo, com uma incrível simplicidade: o 3a1 tocara músicas minhas no Cinemathèque em fevereiro deste ano; o Cinemathèque, responsável por contrato por arcar com o pagamento autoral obrigatório, pagara ao ecad uma quantia estipulada com base na capacidade da casa, localização geográfica, freqüência e outros fatores mais ou menos obscuros; o ecad, após retirar um percentual, repassou o pagamento à abramus; esta, após também tirar seu quinhão, localizara o titular das obras - no caso, eu (!) - e transferira para minha conta os direitos devidos, de acordo com os percentuais registrados nas composições: 100% para as que compus sozinho, 50% nas parcerias.

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com o risco de soar ingênuo, vou me permitir reiterar o quanto eu fiquei feliz com o acontecido.

quem me/nos conhece um pouco mais, sabe que, dia sim dois não, eu cogito desistir de fazer música, tocar, cantar, me apresentar, me autoproduzir, gerenciar a mim mesmo e a outras pessoas, bolar ações, coordenar esforços........................................

quem me conhece, conhece também o bordão "ainda largo isso tudo e abro uma padaria. e com o Chirol!".

e eis que, de repente, a máquina do mundo resolve dar o ar de sua graça, as engrenagens burocráticas - incrível! - funcionam mais ou menos como se diz deveriam funcionar, e eu entrevejo - ainda muito distante, é verdade - uma possibilidade de, vejam só, ser pago pelo meu trabalho.

ou melhor: ser pago pra criar canções, perdão, pra não, por criar, por ter criado canções aqui na minha cabeça, a partir do que penso, vivo e observo por aí - uma conversa com a Dani, outra com o Hofty, um dito popular, e está feita mais uma canção...

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ainda digerindo - saboreando, por que não? - a novidade, fomos à casa do Chirol (eu de ônibus, Hofty de bicicleta).

chegando lá, pergunto, tão casualmente quanto consigo: "Chirol, você também recebeu correspondência? da abramus?"

"recebi."

"você não abriu?"

pra quem acha que o Chirol demora pra pegar as coisas, vale dizer que a essa altura o rosto dele já foi se alterando.

"não, nem abri. o que era?" - foi falando, e já catando a tal carta pela casa (vocês sabem, a casa do Chirol é um pouco confusa, conforme descrita na canção "sorriso" :) .

"cara, abre!" - eu não conseguia mais me conter.

andávamos os dois pela casa. Chirol achou a carta e rasgou o envelope, e pronto: tornou-se também, como por mágica, um compositor remunerado.

"cara! eu vi esse dinheiro na minha conta há uns dias, e não sabia o que era. acabei achando que meu pai tinha depositado, porque sabia que eu tava duro."

(o pai dele depositaria um valor abitrário, quebrado até a segunda casa decimal? é, talvez o Chirol não seja sempre tão rápido.)

"não, cara: foi você quem ganhou a grana. compondo músicas!"

apertamos as mãos e ficamos nos congratulando e sorrindo ainda por algum tempo, felizes e um pouco incrédulos com aquela "mágica".

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mas o caro leitor talvez possa desculpar nosso espanto ante um fato tão corriqueiro para o Rei Roberto, o Ex-Ministro Gil e o Mano Caetano.

afinal, eu e o Chirol compomos e tocamos há uns 15 anos (!), e essa foi - já diz o título - a primeira vez que recebemos direitos autorais.

(eu já compus por encomenda umas duas vezes e, claro, há tempos que recebemos como músicos executantes, quando das apresentações ao vivo, mas isso é bem diferente.)

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pra completar nossa alegria, vale dizer que, se o montante - e sobretudo a constância dos pagamentos - estão a anos-luz do top-ten dos cancionistas do território nacional, o que recebi bancou quase que integralmente minha recente ida à São Paulo - passagens e boa parte dos gastos. e foi referente a apenas um show (numa boa casa).

isso dá o que pensar, mesmo para o mais pessimista candidato a padeiro.

(dá o que pensar, mas tenho até medo de concluir.)

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por ora, quis dividir minha alegria e compartilhar a notícia com os amigos que passam por aqui.

e por ora, na falta de uma padaria dando sopa, sigo inventando músicas e outras coisas, como sempre fiz.

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aproveito pra agradecer a Silvia, Hofty e Ana Sol, representando a pequena multidão de pessoas que há anos alimenta, apóia e participa das minhas iniciativais musicais (e não-musicais).

e espero que o respeitável público tenha se divertido e emocionado naquele já longínquo show em fevereiro.

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...aliás, vou linkar um vídeo dele, como não!

boa noite para mim (que sono!), e bons dias paratodos.

ah, e parabéns, Chirol parceiro: adoro tuas músicas! :]


fiz logo uma playlist:
1. Retrato [Achilles Chirol + Fred Coelho]
2. Maré Mineira [Dimitri BR]
3. Encontro Marcado [Dimitri BR + Fred Coelho]

é só aumentar o som, dar play e aproveitar. :]

(ei, Fred! dá pra ver que você deve se cadastrar pra receber a tua parte. já tem uma graninha lá retida só esperando você passar... Ana Kemper, autora do nosso mais novo hit, deve ficar esperta também! ;)

notícias de jornal

"às vezes eu tenho vontade / de parar de fazer música"

mas aí...

1. 1985

2. 2008
[hum. queria linkar aqui a (muito boa) crítica que o Leonardo Lichote publicou no Globo de ontem, sobre a estréia do show "obra em progresso", do Caetano. no entanto, contrariando toda a lógica, não estou achando a crítica nem no site do jornal, nem em outro lugar da net. :P quem sabe depois eu escaneio. por enquanto, vamos ficar com o pequeno Herbert mesmo! :]

insônia

eita. esta semana é de expectativa: dois projetos acalentados há mais de ano (!) vão-se concretizar. muito sintomaticamente, dois discos: o do 3a1, e o da Helena de Lima.

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mas não vim aqui falar deles. não agora.

a expectativa é grande, as providências a tomar, muitas; estou muito empolgado e um tanto ansioso (apesar da minha concentração zen, respiiira) e, por conseguinte, mais insone ainda do que de costume - se é que isso é possível.

na verdade, desde a quarta-feira passada, creio, não durmo nem mais ou menos bem (bem mesmo é uma minoria das noites pra mim).

tocamos na quinta E na sexta, muitas emoções, tudo ótimo - mas como desligar a pilha?

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ontem à noite, por exemplo ("à noite"? ha!), não conseguia dormir - ou, melhor dizendo, não conseguia ir dormir - e, quando finalmente me arrastei até o meu quarto, pensam que fui dormir?

oh, não: resolvi (!) baixar um monte de cadernos antigos (!!) e folheá-los um a um (!!!), à cata de uma música minha cujos registros perdi totalmente (coisa rara), e que não sei cantar ou tocar (mais raro ainda), e de que nem sequer lembro a letra (definitivamente incomum).

desnecessário dizer que NÃO encontrei vestígio da tal música. nem consegui achar um caderno que fosse da época em que - suponho - eu a compus...

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desnecessário também dizer que achei mil outras coisas muito interessantes (ei, ao menos para mim :P ).

[hum, Mariana, acredita que eu achei aquelas anotações do livro?? e acredita que - previsivelmente - não tinha nada de muito essencial nelas? :D ]

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acordei hoje (depois de mal-dormir umas 4-5h, de manhã) com vontade de voltar a dormir e só acordar quando o lote de 1000 (mil!) EPs do 3a1 tiver sido entregue na minha portaria.

mas, neuroticamente (deu até vontade de assistir woody allen - e com aquela dublagem clássica da herbert richards), o simples cogitar dessa hipótese pra lá de fantasiosa já me pôs nervoso: imagina, dormir com tantas coisas a providenciar para o show de lançamento!

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AAAAAA! hahahaha.

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bem, agora que compartilhei meu estado mental com vocês, permitam-me oferecer-lhes também um dos escritos achados nos cadernos. caso alguém se pergunte, eu não fiquei escolhendo não: achei essa anotação agora mesmo e vim postá-la.

trata-se de um caderno até recente, e um texto creditado como "sonho curto matinal 1".

foi mesmo um sonho, anotado no dia 6 de janeiro de 2006 (e portanto, sonhado provavelmente em Frankfurt, ou em Barcelona). também está registrado na página que essa foi "a primeira vez que escrevi a data" naquele ano.

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lá vai:

sonho curto matinal 1

encontro vestígios arqueológicos, próximos a um túnel repleto de neve, de que a Língua Portuguesa teria surgido de uma fusão do Mineiro (de trabalhadores de minas, não do estado) com o Romeno.

Além disso, essa fusão teria se dado entre populações de ovelhas que falavam cada um dos idiomas; com o cruzamento entre elas, apenas as ovelhas falantes do Português sobreviveram ao frio.

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[fim da anotação. pausa para reflexão. OVELHAS?!]

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[bem, ao menos eu estava dormindo, não?]

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...bons dias, caro leitor!

:*

a do meio é claramente
a falante de
Mineiro

oi Tânia

oooi, Tânia!

puxa, queria deixar um recado curtinho, só pra dar sinal de vida, mas quanta coisa pra dizer...

sejamos telegráficos

e vamos ver no que dá:

- recebi seu sms adorei não respondi pq cel sem crédito :P que bom que gostou do cd é muita coisa porque é variado e é pra muito tempo desfrute!

- adorei tb falar com vc ao telefone contei pra todo mundo q vc sussurrando é muito sexy. :]

- muito boas suas notícias da chegada aí do trabalho de tudo - os fumbles* tb é claro! :D

conte sim da viagem gostou de Berlim? "ficar pra outro POSTER" ayayay excesso de congressos científicos fizeram mal a você... :P

-por aqui tive uma semana atribulada e muito boa!

casamento da Carol Dreyfuss trouxe infinitos paulistas ao Rio passei 3 últimos dias vivendo a ilusão de que minha família paulistana morava bem pertinho.

(ferrei meu braço esquerdo jogando o noivo pra cima e ainda tive que ensaiar depois casamento judeu é hardcore!)

ensaiamos com Hofty e com David ambos os ensaios ótimos Chirol reclamou que depois eu fiquei "irritantemente feliz" mas ele também ficou.

- semana passada conseguimos uma noite de jogatina Bel disse que estava fazendo "papel de Tânia" - e estava mesmo ficou até o sol nascer e venceu uma ótima partida El Grande. ;]

bem por ora é só tô com sono já cochilei hoje na casa do Chirol tô cansadaço vou ali pôr um Emplastro Sabiá no braço e ver se durmo.

beijos beijos

D.

PS: a Alcira faz um comentário desses e depois eu é que sou o engraçado? :D

*N do Ed.: fumble [jargão nerd] - trapalhada, infortúnio.


repare bem e diga se era só eu
quem estava rindo à toa

(...à toa nada!)