[imprensa] ruído
sem o qual nada é ouvido
com o qual tudo é mal
-entendido
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,caetano-veloso-comenta-fim-de-trilogia,967380,0.htm
(o repórter chega com uma tese na cabeça: "caetano se distanciou das canções". a cada resposta, caetano mostra que não, que faz o mesmo de sempre, que foi a canção quem mudou, o tempo que passou, que a canção não está no violão, que não, que não. super calmo e claro. o repórter: a canção, a canção, a ana de holanda, o mensalão. haja. vale pelas respostas serenas e sumarentas do caetano. super claro e calmo. boas pra quem quer ouvir. depois vai o mesmo repórter e lança a matéria tirada da entrevista. o título? " 'Abraçaço' fecha a fase que distanciou Caetano Veloso das canções" (!) . perguntou e não ouviu nenhuma resposta. não é só a bossa nova que é foda.)
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3 perguntas 1 proposta
e se, antes de mandar
- o livro pro prelo
- a música pra rádio
- o voto pra urna
- o filho pra guerra
- o outro à merda
- ...
a gente se fizer sempre essas 3 breves perguntas:
1. acredito no que digo?
2. sinto ser importante dizê-lo?
3. é o melhor que posso fazer?
e aí, quem topa?
- o livro pro prelo
- a música pra rádio
- o voto pra urna
- o filho pra guerra
- o outro à merda
- ...
a gente se fizer sempre essas 3 breves perguntas:
1. acredito no que digo?
2. sinto ser importante dizê-lo?
3. é o melhor que posso fazer?
e aí, quem topa?
essa do Liniers também é uma boa
Maçã não é laranja
Maçã não é laranja
Minc, Camelo, Zelaya e a imprensa brasileira
Estuprador eleito
Há poucos dias, André Pulccinelli - governador (!) do Mato Grosso do Sul - se referiu publicamente ao ministro do Meio Ambiente Carlos Minc como um "veado fumador de maconha"; não satisfeito, emendou que, caso Minc aparecesse no MS para participar de uma meia-maratona ecológica, "o alcançaria e ele seria estuprado em praça pública".
"Eu o estupraria em praça pública". Simplesmente. Uma frase cuja abominável truculência fala por si.
Outra violência
Mas há nesse episódio outro participante que também apresentou uma conduta deplorável, e que talvez não tenha ficado tão evidente assim para todos.
Não, não me refiro ao ministro Minc: este apenas respondeu (primeiro com uma declaração irônica, e depois em nota oficial sem gracinha nenhuma) repudiando as inacreditáveis declarações do governador - que há muito encontra resistência do Ministério do Meio Ambiente a seus planos de lotear o Pantanal entre os plantadores de cana, e resolveu sair-se com essa.
Falo é de grande parte da imprensa brasileira que, indesculpavelmente, vem tratando o caso como "mais uma baixaria entre políticos" – querendo com isso pôr no mesmo saco uma ameaça de estupro (!) feita por um governador a um ministro, e a resposta (até ponderada) deste.
Areia no olho roxo
Não faz muitos anos Chorão, dublê de vocalista e dono da banda/marca Charlie Brown Jr., atacou o compositor Marcelo Camelo (então no Los Hermanos) a soco e cabeçada. No dia seguinte, não deu outra: os jornais só falavam em "briga de bandas"!
Compreensivelmente indignado (e de olho roxo), Camelo publicou uma carta aberta para dizer o óbvio: que não se tratava de uma briga, mas de uma agressão. "A matéria joga areia nos olhos do leitor e dissipa o foco da notícia", escreveu o cantor.
Compreensivelmente indignado (e de olho roxo), Camelo publicou uma carta aberta para dizer o óbvio: que não se tratava de uma briga, mas de uma agressão. "A matéria joga areia nos olhos do leitor e dissipa o foco da notícia", escreveu o cantor.
Jornaleiros do Havaí
Situações diferentes, mesma postura da imprensa - que, ao deliberadamente misturar alhos com bugalhos, tenta esvaziar a questão e diluir a culpa dos óbvios culpados. Pior: dividindo-a com as vítimas. E quase sempre com o intuito de desviar o foco do que realmente está em jogo - seja a associação de artistas a marcas comerciais ou o embate entre agronegócio e ambientalistas.
Os praticantes desse mau jornalismo de desinformação são os mesmos que - como numa canção de outra banda, os Engenheiros do Havaí - queriam igualar Fidel a Pinochet.
O golpe do golpe
Os mesmos que agora insistem, desde as primeiras notícias sobre o golpe em Honduras, em legitimar os golpistas – chamando-os de "governo oficial", dizendo que agiram "de acordo com a Constituição" e que "têm um mandado de prisão" para o deposto – e em pintar o presidente Zelaya como um populista destemperado de caráter dúvidoso, "amigo do Hugo Chávez".
Pode reparar: qualquer matéria da grande imprensa sobre o assunto repete essa cantilena (a despeito do repúdio mundial ao golpe, num raro consenso). Pois, que Zelaya fosse o que alegam: nada disso torna o golpe menos golpe. É, mais uma vez, a areia nos nossos olhos, igualando as partes, desviando o foco, esvaziando a discussão.
Divino maravilhoso
Disso tudo, caro leitor, vale tirarmos lição: não sejamos goiabas. Maçã não é laranja. Agredido não é agressor. Antes de igualar as partes ou desconsiderar a questão, devemos buscar o que realmente está em jogo. E é preciso estar atento e forte ao ler a grande imprensa nacional.
pular corda é isso aí
pular corda é isso aí - uma fábula capitalista
OU
de como ELES estão sempre tentando nos dizer o que fazer
(ou o que pensar)
OU
de como ELES estão sempre tentando nos dizer o que fazer
(ou o que pensar)
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CENA 1:
algum dia da semana passada ou retrasada. está passando na sessão da tarde global um filme tipo "teen Disney" (pode ser até que fosse mesmo do estúdio do famigerado ratinho reacionário de voz aguda), na linha do (também famigerado) "high school musical".
os personagens são jovens negros e estilosos, que vivem num bairro pobre e feliz como (só) há nas metrópoles norte-americanas.
o personagem principal - há que haver um starring role - é um promissor aspirante a boxeador. ele usa cabelo black power e é suuuper legal.
ele tem um rolo muito inocente (no nicho "high school musical" não pode aparecer nem beijinho na boca; mas nos clipes das atrizes-cantoras do elenco rola aquela mesma baixaria esquema britney de sempre) com uma menina que integra um grupo de... puladoras de corda artística.
[alguém já tinha ouvido falar nisso? pois é: mas vamos ouvir falar MUITO nos próximos meses. sobretudo quem tem filhos. mas logo chegamos a esse ponto.]
as meninas estão prestes a participar de uma competição de pular-corda-artísitca-em-grupos (claro, nos EUA tudo tem sua competição, com eliminatórias regionais levando à final nacional, cobertura televisiva, etc., etc.). só que uma das integrantes do grupo - coincidentemente a pior, mais chata e mais feia - larga a trupe e deixa as (ex-)amigas na mão.
aí vocês já viram: depois de profundos dilemas - "pular corda não é coisa de homem", "meu pai sempre sonhou que eu lutasse boxe", etc. - o nosso herói (claro que é um herói) boxeador supera traumas e preconceitos, entra como quarto elemento na equipe de pular corda (sic) das meninas - que então vence a disputa regional, a estadual, a nacional, etc.
[o que tem isso? calma, bravo leitor! passemos à...]
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CENA 2:
anteontem. está passando "malhação". na aula de educação física, todos aguardam a professora, invulgarmente atrasada.
eis que chega afinal a mestra, acompanhada... de um grupo de jovens negros, estilosos e felizes.
"hoje", anuncia a professora, "vamos fazer uma coisa diferente: pular corda!"
"pular corda?!", espantam-se os alunos (como só o elenco de malhação é capaz.)
"siiim", responde a professora, enfática. "e essa galera aqui é um grupo de puladores de corda profissional. eles vão mostrar pra gente como pular corda é super cool e o melhor exercício do mundo para o corpo, a mente, a alma e mais."
segue-se um animado clipe com o elenco de malhação e os alegres saltadores afrodescententes se divertindo e exercitando como nunca e executando manobras radicais com essa incrível, revolucionária invenção: a corda de pular.
[qual a real relação entre as duas cenas? para descobrir, basta lermos a parte final, a...]
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CENA 3:
anteontem. intervalo de "malhação". passa um anúncio da infame água negra do capitalismo - popularmente conhecida como coca, coke, zero-cola, e afins.
o anúncio é um clipe com jovens estilosos e felizes, que executam manobras radicais ao som de uma música animada, enquanto vai sendo passado o seguinte recado: "você tem que entrar nessa! não fique de fora! troque já duzentas tampinhas e mais 40 reais pela exclusivaaa... corda de pular da coca-cola!!"
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EPÍLOGO
pooois é, caros amigos.
lembram dos iô-iôs vermelho-e-brancos? das mini-garrafinhas?
mas sobretudo dos iô-iôs. porque lembro bem de um show de jogadores-de-iô-iô-artístico-profissional-competitivo, numa das ondas dessa promoção (promoção, no sentido de "promover", bem entendido.)
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AMORAL (SIC)DA HISTÓRIA
nada é por acaso no universo do capitalismo.
...é por isso que eu digo: set default as no.
na dúvida, recuse.
ou logo vai estar pulando por aí. (papais, preparem os bolsos, tsc...)
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e antes que esse texto escrito com sono e descuido fique mais jabor que já está (!), peço ajuda ao Quino (gênio! criador da Mafalda, mas que tem outros milhares de cartuns menos conhecidos, como o exemplar abaixo) e ao über-nerd que faz os quadrinhos xkcd (danke, Graziela! :) .
beijos paratodos!
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"compre já o seu"
"ouvi falar que tal coisa é boa"
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